
Esta segunda-feira, dia 15 de junho, marca o Dia Mundial de Conscientização contra a Pessoa Idosa, instituído pela ONU. Em decorrência da data, foi criado o Junho Violeta, campanha dedicada à conscientização e ao combate às formas de violência contra os idosos.
A geriatra Sarah Leitão, especialista no assunto e profissional da Casa de Cuidados do Ceará (CCC), explicou quais os casos mais frequentes observados no atendimento especializado. Segundo ela, as situações mais observadas envolvem abandono e abuso financeiro.
De acordo com ela, além dos próprios danos físicos, as saúdes mental, emocional e social também podem ficar “bastante comprometidas”.
“Humilhações, ameaças, agressões verbais e isolamento social forçado caracterizam formas de violência psicológica que afetam profundamente a qualidade de vida da pessoa idosa”, explicou.
Conforme ela, alguns indícios podem servir de alerta para familiares, vizinhos, profissionais de saúde e cuidadores. Entre os principais sinais listados por Sarah, estão:
A profissional aponta ainda que, no caso de idosos com demência, os relatos de violência podem ser confundidos com sintomas da própria doença. “Quando, em vez de apoio, a pessoa recebe violência, isso pode afetar sobremaneira sua qualidade de vida, suas escolhas e seu bem-estar”, alertou.
Em casos de suspeita ou confirmação de violência contra pessoas idosas, as denúncias podem ser feitas pelo Disque 100 ou pelo “Alô Idoso Ceará”, pelo número 0800 85 0022.
No Hospital Geral Waldemar Alcântara (HGWA), em Fortaleza, o Serviço Social atua em parceria com equipes multiprofissionais para identificar situações de vulnerabilidade envolvendo idosos.
Segundo a coordenadora do setor, Dayanne de Moraes, um dos maiores desafios é detectar a chamada “violência invisível”.
“Muitas vezes, os casos chegam ao hospital como queda, desnutrição ou abandono de cuidados e somente depois são identificados como possíveis situações de violência”, explicou.
Ela ressalta que a negligência, a violência psicológica e o abuso financeiro costumam ser mais difíceis de identificar porque não deixam marcas físicas evidentes.
Desde 2024, o HGWA conta com a Comissão Girassol, criada para fortalecer o enfrentamento de situações de violência dentro da rede hospitalar.
O grupo reúne profissionais de diferentes áreas e atua em casos mais complexos, articulando ações com órgãos externos, como Ministério Público, programas de proteção às vítimas e serviços especializados.
“A Comissão Girassol surgiu para qualificar a resposta institucional a esses casos e fortalecer a integração entre hospital e rede de proteção”, afirmou Dayanne.