
O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, fez acusações nesta terça-feira (21) sobre as urnas eletrônicas utilizadas nas eleições brasileiras. Em reunião com diplomatas, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro associou os equipamentos a uma empresa criada por engenheiros venezuelanos, boato que já foi desmentido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há seis anos.
No encontro, Flávio diz que as urnas brasileiras são Smartmatic, multinacional com sede no Reino Unido, e que um relatório da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA) teria apontado que a companhia estaria envolvida em um plano para fraudar as eleições da Venezuela em 2012.
“Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa”, disse o senador.
Flávio afirmou ainda que há uma denúncia do governo americano de suspeitas de fraudes contra a empresa, “inclusive utilizando uma documentação do próprio serviço de inteligência americano, a CIA, apontando sobre a possibilidade de vulnerabilidades do sistema eletrônico de votação”, completou.
Em 2020, o TSE já havia publicado uma nota esclarecendo que as urnas não foram fornecida pela empresa e que a atuação da Smartmatic nas eleições brasileiras se deu apenas “no recrutamento, contratação e treinamento de aproximadamente 14 mil profissionais, que trabalharam no suporte técnico-operacional das eleições de 2014”.
“Em nenhum momento a empresa Smartmatic atuou na programação das urnas eletrônicas”, disse o Tribunal. A empresa participou do processo licitatório para fabricação das urnas, mas perdeu para a empresa Positivo.
Ao longo dos anos, a Smartmatic nunca forneceu urnas para as eleições brasileiras. O primeiro modelo foi da Unisys (1996). Depois, passou por Procomp Indústria Eletrônica Ltda (1998), Diebold (2000), Unisys (2002), Diebold novamente (2004, 2006, 2008, 2009, 2010, 2011, 2013 e 2015) e Positivo (2020 e 2022).
O TSE ressalta que o sistema da urna eletrônica é offline, ou seja, não tem acesso à internet, e é criptografado. Além disso, as urnas são passíveis de auditoria.
Flávio chegou, no fim de sua fala, a pedir que os países mandem “a maior quantidade de observadores possíveis para as eleições”, além de pessoas que “tenham conhecimento dessa tecnologia”, completou.