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Idosa morre após ser submetida por engano à cirurgia de outra paciente em hospital

A idosa foi levada ao hospital, e já no pronto-socorro começaram os erros médicos.

Rita de Cássia
Por: Rita de Cássia Fonte: Ceará Agora
23/07/2026 às 15h35
Idosa morre após ser submetida por engano à cirurgia de outra paciente em hospital
Foto: Reprodução

Uma paciente de 76 anos foi submetida por engano a uma cirurgia destinada a outra pessoa com o mesmo nome no Hospital Beneficência Portuguesa, em Campinas, no interior de São Paulo. Jandira Marina Dias Braga enfrentava câncer de intestino e morreu três dias após o procedimento.

A mulher era reincidente da doença e foi internada no início de junho após a família perceber que a bolsa de colostomia dela não estava funcionando. A idosa foi levada ao hospital, e já no pronto-socorro começaram os erros médicos.

Segundo Camila Dias Barozzi, neta de Jandira, no momento da medicação, a equipe do hospital chamou por uma mulher com o mesmo nome da idosa e, sem olhar o nome completo de Jandira, aplicou medicação errada na avó. Por causa de obstrução da bolsa, Jandira precisou ser internada, e a família aguardava a definição do tratamento, para saber se seria necessária uma intervenção cirúrgica ou não.

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Na manhã seguinte, os médicos afirmaram que Jandira não poderia realizar a cirurgia, porque não aguentaria o processo. À noite, porém, a mulher foi levada ao centro cirúrgico sem maiores explicações.

Jandira passou por gastrostomia endoscópica, procedimento para colocação de sonda diretamente no estômago, por engano, na noite de 8 de junho, e morreu três dias depois.

Procurado pela reportagem, o Hospital Beneficência Portuguesa, porém, afirmou que o procedimento não influenciou na morte de Jandira. A instituição destacou que abriu sindicância interna para apurar o caso e pontuou que foram adotadas medidas administrativas contra os profissionais envolvidos (leia nota completa abaixo).

Médicos assumiram erro à família e alegaram “benefício clínico”

A neta de Jandira conta que a equipe médica somente descobriu a troca de pacientes depois do procedimento cirúrgico. Durante troca de plantão, os profissionais identificaram que a verdadeira paciente que deveria fazer a cirurgia estava no quarto esperando pelo atendimento.

Após a cirurgia, os médicos convocaram reunião com a família de Jandira Marina e explicaram a situação. De acordo com Camila Barozzi, eles assumiram o erro e alegaram “benefício clínico” da cirurgia à paciente. A neta, no entanto, relata que, assim que terminou a cirurgia, a avó passou a apresentar febre e taquicardia.

“A partir do momento que ela voltou da cirurgia, ela já começou a ter taquicardia, já começou a ter febre, já começou a ter tudo. Antes de ser dentista, fui técnica de enfermagem, trabalhei 12 anos dentro de uma UTI, ambulância e pronto-socorro. Então, tenho propriedade para dizer que ela começou a ter sintomas de infecção generalizada”, afirmou.

Nos dias seguintes, o quadro clínico de Jandira piorou, e os familiares e médicos decidiram adotar cuidados paliativos, sem medidas invasivas. A mulher de 76 anos morreu às 19h30 de 11 de junho.

“Eles tiraram a fé que a gente tinha de ela poder melhorar”

Camila lamentou os erros do hospital e afirmou que deseja que “isso não aconteça com mais ninguém”. Para ela, o hospital possui responsabilidade na morte antecipada da avó, mas “jamais vai assumir a culpa de que por conta do processo cirúrgico, ou em decorrência das complicações, eles aceleraram a morte dela”.

“Eles tiraram a chance e tiraram a fé que a gente tinha de ela poder melhorar”, criticou a mulher.