Segunda, 10 de Agosto de 2026
20°C 36°C
Santa Quitéria, CE
Publicidade

Tarifa dos EUA pode afetar mais de US$ 450 milhões em exportações do Nordeste, aponta Banco do Nordeste

Estudo do BNB indica que sobretaxa americana deve atingir oito dos principais produtos exportados pela região, com impactos concentrados na indústria e no agronegócio

Rita de Cássia
Por: Rita de Cássia Fonte: Opinião Ce
10/08/2026 às 17h03
Tarifa dos EUA pode afetar mais de US$ 450 milhões em exportações do Nordeste, aponta Banco do Nordeste
Foto: Divulgação/Fiec

A sobretaxa de até 37,5% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros deve afetar diretamente oito dos 15 principais itens exportados pelo Nordeste para o mercado norte-americano. Juntos, esses produtos movimentaram mais de US$ 450 milhões no primeiro semestre de 2026, o equivalente a 36% de todas as exportações nordestinas destinadas aos Estados Unidos. A estimativa é do Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), área de pesquisas do Banco do Nordeste (BNB).

As novas tarifas passaram a valer a partir de 22 de julho. O governo norte-americano estabeleceu uma alíquota de 25% sobre determinados produtos brasileiros e uma cobrança adicional de 12,5% para itens enquadrados em critérios relacionados às políticas dos Estados Unidos de combate ao trabalho forçado. Dependendo da classificação do produto, a tributação pode chegar a 37,5%.

Segundo o economista-chefe do Banco do Nordeste, Rogério Sobreira, o setor industrial deverá ser o mais impactado pelas medidas.

Continua após a publicidade
Anúncio

“As empresas desse setor no Nordeste enfrentarão maiores desafios, já que importantes produtos, como os semimanufaturados de ferro e aço, estão sendo taxados”, afirma.

Além da indústria, o agronegócio nordestino também deverá sentir os efeitos da sobretaxa. Entre os produtos atingidos estão celulose solúvel, açúcar e álcool, mel natural, determinados tipos de pescados, calçados de couro e cordéis de sisal.

Por outro lado, alguns dos principais produtos exportados pela região ficaram fora das novas tarifas, entre eles celulose convencional, manteiga e óleo de cacau, manga, castanha de caju, água de coco, cacau em pó, café em grão e partes de frutas.

Para o economista do BNB, a diversificação dos mercados compradores é uma das alternativas para reduzir os impactos da medida.

“Precisamos lembrar que os americanos não são os únicos consumidores dos nossos produtos. Os Estados Unidos responderam por cerca de 12% de todas as exportações nordestinas em 2025. Outra medida é acessar crédito mais adequado para enfrentar as dificuldades. O próprio Banco do Nordeste é uma fonte de financiamento com condições muito favoráveis para as exportações, por utilizar recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, o FNE”, destaca.

No cenário nacional, as medidas atingem 639 produtos brasileiros. Segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com base no comércio bilateral de 2024, as novas tarifas alcançam 23,1% das exportações brasileiras. Quando considerada também a sobretaxa aplicada anteriormente ao aço e ao alumínio, esse percentual pode chegar a 47,3%.