Gestão
Outro erro crucial teria sido a falta de conexão entre as ações da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e outras pastas. “Os investimentos e ações desenvolvidos por meio de políticas sociais, profissionalizantes e educacionais não têm qualquer relação com as políticas da segurança e, quando têm, são pontuais, que não caracterizam continuidade”, explica a pesquisadora Glaucíria Mota, coordenadora do Laboratório de Direitos Humanos e Cidadania da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Na contramão do exemplo cearense, Pernambuco apostou em ferramentas de gestão e planejamento intersetorial. Lá, se conseguiu reduzir em mais de 30% o número de homicídios. Conforme explicou ao
O POVO
o secretário de Defesa Social de Pernambuco, Wilson Damázio, um comitê formado por seis câmaras, envolvendo diferentes secretarias, se reúne religiosamente a cada quinta-feira, para monitorar resultados, discutir estratégias conjuntas e corrigir equívocos. O comitê é presidido pelo secretário estadual de Planejamento, que tem a chave do cofre público e define o destino dos investimentos. Segundo Damázio, pelo menos uma vez por mês as reuniões são presididas pelo governador Eduardo Campos (PSB). Nas próximas páginas, O POVO
mostra que outros caminhos poderiam ter sido trilhados em favor da segurança pública, e expõe, ainda, a disparidade entre os investimentos e resultados.
Hébely Rebouças - O POVO Online