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Assembleia instala CPI para investigar financiamento de associações de PMs no Ceará

Assembleia instala CPI para investigar financiamento de associações de PMs no Ceará

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
12/08/2021 às 14h24 Atualizada em 12/08/2021 às 14h24
Assembleia instala CPI para investigar financiamento de associações de PMs no Ceará
Foto: Reprodução

A articulação parlamentar sobre a abertura de CPI foi adiantada com exclusividade pelo O POVO nesta terça-feira, 10. Após ler o parecer favorável da Procuradoria da Casa, o presidente anunciou: "Nos termos do Art. 54 do Regimento Interno, a presidência defere a criação e constituição da referida comissão parlamentar de inquérito para investigar o destino dos recursos recebidos pela associações ligadas à Polícia Militar (PM) e ao Corpo de Bombeiros Militar do Ceará". 

A proposta foi protocolada ainda em fevereiro do ano passado pelo deputado Romeu Aldigueri (PDT), com assinaturas de 31 parlamentares. No pedido, o parlamentar afirma que associações ligadas a policiais e bombeiros militares teriam agido como "sindicatos" durante a paralisação de agentes de segurança em 2020, o que desrespeitaria a legislação militar em vigor.

Em pronunciamento, Aldigueri agradeceu as assinaturas e destacou os fins das investigações. "Eu agradeço a todos os 31 parlamentares que assinaram a CPI de nossa autoria, tendo em vista as notícias que foram veiculadas nos jornais de grande circulação e quebras de sigilos fiscais e já de possíveis indiciamentos. Que o parlamento cumpra seu papel institucional e que a sociedade civil cearense tenha a resposta devida", disse o deputado. 

Ainda durante pronunciamento, o presidente informou que os líderes partidários têm até três dias para indicar seus membros (titulares e suplentes) que devem compor a CPI. A composição dos deputados respeitará a proporcionalidade em blocos: 

- Bloco PDT, Cidadania e DEM: 3 deputados
- Bloco MDB, Progressistas e PT: 1 deputado (cada partido)
- Bloco de outros seis partidos terão 2 deputados a ser definido em acordo ou sorteio

O deputado federal Capitão Wagner (Pros), uma das lideranças da categoria de policiais militares, criticou a possível instalação da CPI e disse que o governo pretende usar o grupo para “fazer cortina de fumaça” e “desgastar adversários”. Em reação à CPI das associações de militares, o deputado estadual Soldado Noelio (Pros), também com base ligada às forças de segurança, anunciou que começou a reunir assinaturas para instalar outra CPI para investigar atuação de facções criminosas.

Sem a presença da oposição no plenário, deputados da base governista destacaram os objetivos das investigações. O clima ficou tenso após pedido de fala do deputado Osmar Baquit (PDT). "Eu queria pedir a essa Casa como um todo que assinasse para que a gente possa definitivamente acabar com a falácia de que tem polícia cearense envolvida com milícia. É a hora de apurar quem defendeu a Chacina do Curió, quem pagou advogado, quem defende maus policiais", disse o parlamentar. 

O deputado Marcos Sobreira (PDT) também defendeu as investigações. "Nós não podemos esconder e essa casa tem que averiguar. Mas que se investigue tudo, inclusive quem bancou e agiu para policiais fazerem motins ilegais como vimos no ano passado, aterrorizando a população cearense. Que se investigue as instituições da corporação pagas com recurso dos policiais militares", destacou. 

O Povo Online