A Voz de Santa Quitéria foi buscar mais informações sobre a maçonaria, “uma instituição essencialmente filosófica, filantrópica, educativa e progressista”, segundo o Grande Oriente do Brasil (GOP). Ela tem como objetivo “a investigação da verdade, o exame da moral e a prática das virtudes”, além de “unir os homens entre si”.
Em Santa Quitéria, ela está presente por meio da Loja Cavaleiros da Arte Real Nº 60. Fundada em março de 1982, os membros se reúnem semanalmente às quintas-feiras em sua sede no bairro Piracicaba. Poucos são os dados sobre ela que constam na internet, dado o comportamento discreto por eles adotados de não revelarem as suas atividades, mas seguem o seguinte princípio: dar com a mão direita para esquerda não ver, ou seja, beneficiar alguém sem olhar a quem.
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| Parte dos maçons quiterienses, em um dos raros registros |
O primeiro maçom a residir no município foi o médico Adroaldo Martins, pai do ex-prefeito Edson Lôbo de Mesquita. Inclusive, a sua casa –
demolida recentemente na rua que leva o seu nome -, imóvel construído na década de 1920, foi erguida com características que remetiam a maçonaria, o que teria contrariado a Igreja Católica na época, que contestou a obra e as imagens em sua fachada.
O farmacêutico Dr. Egberto Teixeira Duarte foi um dos fundadores da loja maçônica local, instigado por outros companheiros. “Sempre o que nós temos é uma união, respeito, porque temos um irmão que a gente escolhe, é assim que a gente se considera. Ela é universal, como matemática e música, através de bons modos, pátria e família”, descreve o maçom.
Diferente do que muitos pensam, a maçonaria não é uma religião e sim uma instituição, na óptica de Egberto, “tranquila, humilde, caladinha, mas participativa”, que acredita em um ser superior, o “grande arquiteto do universo”. Ele elenca entre as ações já feitas durante sua história, distribuição de donativos que foram arrecadados durante o período das secas.
Os detalhes das cerimônias da maçonaria não podem ser divulgados para pessoas que não fazem parte dela, o que explica a aura de mistério que os cerca. No entanto, as características mais amplas desses rituais são relativamente bem conhecidas, indicando que sua simbologia mistura elementos da Bíblia, tradições medievais e perspectivas filosóficas do Iluminismo do século 18.
Sobre o envolvimento da maçonaria com política, Egberto afirma que ela é apartidária e que em suas reuniões, cada um pode ter a sua filiação, mas deve respeitar a do outro. “Lá nós não discutimos, é terminantemente proibido, política partidária, quando muito política administrativa sim”, explicou.