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Outubro Rosa: Em busca da prevenção, quiterienses realizaram mais de 700 mamografias nos últimos cinco anos

Diagnóstico precoce possibilita que as chances de cura sejam muito maiores para a paciente, chegando a 95%

Raflézia Sousa
Por: Raflézia Sousa
20/10/2023 às 09h03
Outubro Rosa: Em busca da prevenção, quiterienses realizaram mais de 700 mamografias nos últimos cinco anos
Fotos: Divulgação/PMSQ

Em meio a rotina conturbada do dia-a-dia, com trabalhos, afazeres domésticos e cuidar da família, muitas mulheres quiterienses acabam deixando de lado a própria saúde. Nos últimos cinco anos, foram realizados 736 exames de mamografia em Santa Quitéria, resultando em 10 suspeitos e nove com alterações. Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que o câncer de mama é o tipo da doença mais comum entre as mulheres no mundo. A propagada campanha do Outubro Rosa tem por objetivo, buscar conscientizar e incentivar recomendações para prevenção, diagnóstico precoce e rastreamento da doença.

De acordo com o médico Ricardo Martins Pinto, quatro a cada 10 mulheres acabam sendo acometidas e alerta também para fatores que contribuem para o aumento do risco: “homem também precisa se cuidar, porque o câncer de mama também acontece no sexo masculino”. Além do autoexame nas mamas para identificar nódulos, o profissional também recomenda investigar o histórico familiar e hereditário, e realizar exames, mamografia ou ultrassom.

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Os principais sinais e sintomas suspeitos são: caroço (nódulo), geralmente endurecido, fixo e indolor; pele da mama avermelhada ou parecida com casca de laranja, alterações no bico do peito (mamilo) e saída espontânea de líquido de um dos mamilos. Também podem aparecer pequenos nódulos no pescoço ou na região embaixo dos braços (axilas).

O secretário de saúde de Santa Quitéria, Adeilton Mendonça, destacou que neste mês, tem sido organizado um mutirão de ultrassons mamárias e transvaginais, as segundas, quartas e quintas-feiras, na Clínica da Mulher. “Com o laudo da biópsia da mamografia, a gente anexa no sistema e é liberada logo a vaga para fazer o tratamento em hospitais de referência em Fortaleza ou Sobral”, explica.

Valquíria Lima, do bairro Piracicaba, afirma que sabe da importância do autoexame, mas não realiza. “A gente até peca em relação a isso, porque sabe que é bem importante para a saúde da mulher, até pela prevenção de problemas como câncer, glândulas e tudo mais, mas ainda não fiz”, e finaliza dizendo: “Agora vou procurar fazer, com certeza”.

Já Maria Rosenir, do bairro Primavera, conta que faz acompanhamento a cada três meses devido os nódulos que aparecem. “Já faço acompanhamento desde meus 12 anos. Só de nódulos já fiz 4 cirurgias, mas graças a Deus, nenhum maligno”.

Caso real em Santa Quitéria

Antonia Matos, conhecida como Toinha Braga, moradora do bairro Flores, enfrentou o câncer de mama e venceu. Hoje, fazem seis anos desde a cirurgia. Ela detalha que quando descobriu o câncer, já estava fazendo acompanhamento com exames de rotina, e levou um período de 11 meses para fazer a retirada completa, que só foi possível após um total de 12 sessões de quimioterapia.

Ela expressa o que sentiu quando foi diagnosticada: “não tenho nem o que dizer de como eu me senti naquele momento, quando o médico disse que era um câncer maligno foi um baque, porque eu já tenho um histórico de família. O médico disse assim, olha eu vou fazer, mas eu não vou dar garantia de nada”, e relata que enfrentou com fé apesar de tudo e que agora está podendo contar a sua história.

Após a retirada, ela ainda realiza exames, já que foi orientada a fazer a cada seis meses devido ter histórico familiar. Dona Antônia deixa um recado:

Quando a gente tem a notícia, assim como eu tive, fica de baixo astral, chora, chega aquele momento que dá um nervosismo e acha até que não vai sobreviver. Mas eu quero dizer pras pessoas que elas nunca deixem de passar (no médico), e nunca entre em desespero não, porque sempre tem uma vitória pra gente vencer na vida. Hoje já está com seis anos e eu estou aqui contando a minha vitória.

A importância da redução de risco e do diagnóstico precoce

Segundo o INCA, é possível reduzir em 28% o risco de uma mulher desenvolver câncer de mama a partir da adoção de alguns hábitos. Entre eles estão:

  • Praticar atividade física regularmente;
  • Alimentar-se de forma saudável;
  • Não fumar;
  • Ter o peso corporal adequado;
  • Não ingerir bebidas alcoólicas;
  • Evitar uso de hormônios sintéticos em altas doses.

Já o diagnóstico precoce possibilita que as chances de cura sejam muito maiores para a paciente, chegando a 95%. Infelizmente, quanto mais avançado for o estágio do câncer de mama no momento em que a doença é detectada, ou seja, quanto mais tarde a doença for diagnosticada e tratada, essa chance de cura vai ficando menor.