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Quiterienses pelo mundo - Artista Vik Muniz

Quiterienses pelo mundo - Artista Vik Muniz

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues
13/04/2012 às 23h30 Atualizada em 20/03/2020 às 23h57
Quiterienses pelo mundo - Artista Vik Muniz
Foto: Reprodução
Ou seja, ele não é o típico artista nova-iorquino carrancudo — porque é um artista nova-iorquino brasileiro. Seu nome é Vik Muniz, e a razão por que ele está tão feliz é simples: ele está voltando para casa.Levou algum tempo para Vik pegar impulso como artista. Em 1989, seis anos depois de sua chegada aos Estados Unidos, o paulistano de Pirituba fez sua primeira mostra numa galeria do Soho e decidiu largar o emprego. Mas só estourou com a série Crianças do Açúcar — os retratos das crianças trabalhando na lavoura fizeram dele um artista badalado em 1996. Vieram exposições ao redor do planeta, uma elogiadíssima mostra no MoMA, colaborações com Louis Vuitton, Daniel Boulud e a Brooklyn Academy of Music, livros. “Muniz ficou rico e famoso com suas complexas metafotografias que fundem arte conceitual, arte-processo e fotomontagens em benfeitas gags visuais”, afirmou o New York Times. Ele usa um gesto largo ao mostrar sua casa — uma garagem de 6000 metros quadrados que virou uma mistura de ateliê com lar em Fort Greene, enclave bacana no Brooklyn — para enfatizar como está bem de vida. Vik tem ainda um apartamento em Ipanema, que cedeu aos pais (até outro dia, sua mãe trabalhava na Telefônica e o pai era garçom do Bar Genésio, na Vila Madalena). Uma das explicações para o sucesso é a habilidade para manter estáveis os preços das obras — Vik poderia facilmente pedir 150 000 dólares ou mais por peças pelas quais costuma cobrar o terço. A estabilidade o libera para escolher seus projetos.O mais recente é o multipremiado filme Waste Land, rodado no Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, um dos maiores lixões do planeta. Provando ser possível extrair beleza de detritos, durante três anos Vik acompanhou a rotina dos catadores e criou obras com sua participação, documentando todo o processo, da reciclagem ao leilão de suas peças de arte — cuja renda retornou aos trabalhadores do Gramacho. Em outro passo além do restritivo mundinho de livros, galerias e museus, Vik fez a abertura da novela Passione. “De que outro modo levaria arte contemporânea para 50 milhões de pessoas, diariamente, seis dias por semana, por dez meses?”, sugere.Voltando a viver no Brasil, Vik coordena a Escola do Olhar, instituto de arte para crianças pequenas. Quando Vik Muniz anda pelo Rio, percebe que muita coisa mudou desde a época em que ele trocou o Brasil da hiperinflação pelos Estados Unidos. Estudantes pedem uma foto com ele, a garota que entrega a pizza diz admirar sua obra, um taxista recusou ser pago, dizendo-se agradecido ao ver nele um responsável por popularizar o Brasil no mundo. Um novo tipo de sucesso. Hoje, aos 50 anos, mais que um artista nova-iorquino vestido de preto, no fim do dia Vik Muniz pode dizer que nunca se sentiu tão brasileiro.

Reportagem extraída da Revista ALFA