Segunda, 23 de Fevereiro de 2026
21°C 32°C
Santa Quitéria, CE
Publicidade

Movimento nacional pode redefinir o jogo no Ceará e explicar silêncio estratégico de Ciro

Na análise do colunista Reginaldo Silva, as movimentações no cenário federal ajudam a compreender por que o ex-ministro Ciro Gomes evita assumir oficialmente uma pré-candidatura ao Governo do Ceará

Reginaldo Silva
Por: Reginaldo Silva
23/02/2026 às 10h53
Movimento nacional pode redefinir o jogo no Ceará e explicar silêncio estratégico de Ciro

A política cearense pode estar diante de uma mudança de eixo impulsionada por decisões tomadas longe do estado. As movimentações no cenário federal ajudam a compreender por que o ex-ministro Ciro Gomes evita assumir oficialmente uma pré-candidatura ao Governo do Ceará.

Publicamente, Ciro afirma que está na fase de “pegar corda”. A narrativa tem dois objetivos, um visa criar uma imagem que a pré-candidatura surge do anseio das lideranças e do povo e a outra que a força pupular o credencia a criar a unidade dentro do bloco oposicionista. Mas, na leitura política, a questão central não é apenas o discurso; é o movimento por trás dele. Segundo a análise, o ex-ministro aguarda uma definição estratégica do Partido Liberal (PL), peça-chave para a formação de um bloco de oposição unificado para formar um palanque competitivo em 2026.

Continua após a publicidade
Anúncio

O fator Bolsonaro e a disputa interna no PL

Dentro do PL, a decisão sobre alianças estaduais passa diretamente pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. No entanto, o cenário não é homogêneo. Michelle Bolsonaro tem ampliado sua influência nas articulações políticas e já demonstrou capacidade de interferir em decisões estratégicas, como ocorreu em Santa Catarina, onde conseguiu emplacar a deputada Caroline de Toni ao lado de Carlos Bolsonaro.

No Ceará, porém, o sinal enviado por Michelle publicamente tem sido diferente, há resistência a uma eventual aliança com Ciro Gomes. Paralelamente, o senador Flávio Bolsonaro tem defendido que o partido lance candidaturas próprias nos estados, começando a pressionar São Paulo o maior estado da federção, estratégia que enfraquece a possibilidade de um acordo automático com lideranças locais.

Palanque puro e memória política

Ciro conhece bem a lógica do chamado “palanque puro”, modelo em que partidos buscam protagonismo próprio em vez de palanque liderado por partido aliado. Foi essa dinâmica que levou Ciro a romper com Cid Gomes e Camilo Santana e também contribuiu para o racha entre PT e PDT nas eleições de 2022.

Diante desse histórico, a cautela do ex-ministro seria estratégica: assumir uma pré-candidatura sem garantia de apoio nacional diante de um cenário polarizado poderia reduzir sua margem de negociação e suas chances no jogo eleitoral.

Continuidade ou isolamento

O avanço da polarização nacional tende a pressionar lideranças regionais a definirem rapidamente seus campos políticos. A indefinição prolongada pode resultar em perda de espaço e dificuldade na construção de alianças competitivas.

O cenário desenhado aponta para uma eleição em que decisões tomadas em Brasília, terão impacto direto no cenário cearense. E, como resume a análise, em 2026 quem não decidir cedo de que lado da corda vai ficar pode correr o risco de chegar à disputa sem palanque estruturado.