
Bolsonaro governava testando limites, era mestre em esticar a corda e aguardar as reações das ruas para decidir sobre determinados assuntos. O filho 01 do ex-presidente segue os passos do pai e tenta replicar o método nos estados.
Vazou para a imprensa nacional e repercute em todos os estados da federação, nomes que possivelmente podem compor uma chapa majoritária com apoio de Flávio Bolsonaro. O documento não é vazamento. É recado político.
Em relação a São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores estados eleitorais do país, Flávio deixa evidente que pretende avançar em conversas com Tarcísio de Freitas e Nikolas Ferreira, mas demonstra que tem outras cartas na mão. O método implícito na mensagem é simples de se entender: “a preferência é de vocês; caso não aceitem, temos outros caminhos a seguir, não ficaremos nas mãos de ninguém”.
Também chamou a atenção as anotações de Flávio sobre o Ceará, que colocam um possível apoio à pré-candidatura de Ciro Gomes, ainda não anunciada por ele, ao Governo do Estado.
O documento, intitulado de “situação nos estados”, aponta que há intenção da legenda bolsonarista de se aliar a Ciro Gomes, apontando ainda como integrantes da chapa majoritária possíveis pré-candidatos ao Senado: o deputado estadual Alcides Fernandes, pai do deputado federal André Fernandes; a presidente do PL Mulher no estado, Priscila Costa; e o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio.
Com anotações de próprio punho, surge o nome de Capitão Wagner entre parênteses, sinalizando Wagner versus o PT no estado, abrindo um novo leque de possibilidades.
A implicação é simples: o Partido Liberal tenta redefinir a oposição no Ceará. Se o PL confirmar o apoio, Ciro entra no jogo com musculatura nacional incorporando o processo de polarização, algo que ele mesmo tem evitado.
A base governista por sua vez, não pode perder aquilo que não tem. Todos os nomes em discussão já são da base de oposição, que ainda se organizam para entrar na disputa.
As águas de março trarão outras definições. O senador Eduardo Girão mostra-se disposto a manter seu nome na disputa para o Palácio da Abolição. Michelle Bolsonaro deve tentar manter posicionamento já revelado no Ceará, como fez em Santa Catarina.
No fim, o documento de Flávio não define candidaturas. Define quem terá coragem de assumir posição antes que o jogo comece de verdade.