
O julgamento do caso Kaianne Bezerra chegou ao fim na tarde desta quarta-feira (3), em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, com a condenação dos dois acusados pela morte da contadora. Leonardo Nascimento Chaves, marido da vítima e apontado pelas investigações como mandante do crime, foi condenado a 39 anos de prisão e dois anos de detenção. Já Adriano Andrade Ribeiro recebeu pena de 35 anos de prisão e dois anos de detenção.
A decisão foi tomada pelo Conselho de Sentença da Vara Única Criminal de Aquiraz após cerca de 26 horas de julgamento distribuídas ao longo de três dias. Os jurados reconheceram a responsabilidade dos réus pelos crimes de feminicídio, corrupção de menores, furto e fraude processual.
Após a leitura da sentença, o juízo responsável pelo caso determinou o cumprimento imediato das penas. Com isso, os dois condenados permanecem presos.
O júri popular teve início na segunda-feira (1º) e foi encerrado por volta das 15h desta quarta-feira (3). Durante os três dias de sessões, foram ouvidas sete testemunhas, além dos interrogatórios dos dois acusados perante o Conselho de Sentença.
A fase de debates entre acusação e defesa ocupou aproximadamente nove horas. Ao longo das sustentações, o Ministério Público do Ceará (MPCE) defendeu a tese de que a morte da contadora foi resultado de um feminicídio planejado.
Segundo os promotores, Leonardo Nascimento Chaves teria interesse financeiro na morte da esposa, já que figurava como beneficiário de seguros de vida contratados em nome da vítima.
Após o encerramento dos debates, os sete jurados responderam aos quesitos apresentados pelo magistrado responsável pelo júri. A votação ocorreu de forma sigilosa e terminou com a condenação dos dois acusados.
Durante o julgamento, representantes do Ministério Público apresentaram vídeos, fotografias e outros elementos reunidos durante a investigação para sustentar a acusação de que o assassinato foi premeditado.
Um dos momentos mais emocionantes da sessão ocorreu durante a exibição de imagens relacionadas ao caso. Na ocasião, familiares de Kaianne Bezerra deixaram temporariamente o plenário.
A defesa dos acusados também apresentou sua versão dos fatos durante os debates, mas os argumentos não convenceram a maioria dos jurados.
Kaianne Bezerra Lima Chaves foi assassinada em 26 de agosto de 2023 dentro da residência onde morava, em Aquiraz.
Nos primeiros momentos da investigação, o caso chegou a ser tratado como um possível latrocínio, crime caracterizado por roubo seguido de morte. Entretanto, o avanço das apurações levou a Polícia Civil a modificar a linha investigativa.
De acordo com a investigação, o assassinato teria sido planejado e executado com a participação de pessoas próximas à vítima. Leonardo Nascimento Chaves passou a ser apontado como mandante do crime.
As apurações também indicaram que a motivação do homicídio estaria relacionada a interesses financeiros. Ao longo do inquérito, a Polícia Civil identificou outros envolvidos na ação criminosa, o que resultou nas denúncias posteriormente analisadas pelo Tribunal do Júri.
Com a decisão anunciada nesta quarta-feira (3), o caso tem seu desfecho em primeira instância, com a condenação dos dois acusados pela morte da contadora. Ainda cabem recursos às instâncias superiores, mas a Justiça determinou o cumprimento imediato das penas impostas aos réus.