Maria de Lurdes: Tu tem féem Deus, minino? Aquele ali, tão cedo num dá as cara...
Getulio: Quê isso, mãe?Num sô de acordo cum isso não! Aí, nóis trabáia, dá duro nessa terra e o paigasta tudo na cana?
Edvirgens: Para com isso,vocês dois! Ele é pai de vocês. Inda que teje errado, mais é pai, e vocês lhedeve respeito!
Maria de Lurdes: Ah, sim!Quando muito a gente respeita quem se dá o respeito mais aquele ali...
(Antonio chega em casaembriagado)
Antonio: O que tem eu?
Getulio: Arre, Pai, defogo de novo?
Antonio: Que tu tem comisso?
Getulio: É que nóis tamocansado, pai de só ter que trabaiá e trabaiá pro sinhô e óia comé que tu tratanóis!
Antonio: Tu cala essa tuaboca... tu e essa tua irmã, a Maria de Lurdes.. eu sô o pai... é eu quemando... mando e desmando... cês rão fazer o que eu quisé e acabou-se ahistória.
Edvirgens: Quitéria,querida, enta lá pa dento. Rá po seu quarto, rá...
Antonio: Chelaí! Minha fiatambém... O que eu disser agora, ela tem que ver e escutar. E hoje, como cês seastrevero a me disafiar, ninguém come.
Getulio: Eu nem façoemprenho dessa sua comida pôde a álcool!
Maria de Lurdes: Nem eu!
Edvirgens: Antonio, aQuitéria é uma criança, num pode dormir sem comer...
Antonio: Ela é minha fiaigual os ôto. E rai tê castigo igual. Ocê também num coma. Se eu pegar alguémcomendo, eu meto os tabefe. Agora, eu rô saí...
Getúlio: Rai enchê a carao resto da noite?
(Antonio sai e bate a porta. Getuliofica gritando)
Getulio: TRISTE DO PAI QUEAMA MAIS A PINGA DO QUE A FAMÍLIA!
(De madrugada, Quitéria começa atossir. Edvirgens levanta e vai ver o quer ela tem)
Edvirgens: Ô, minha fia,que que cê tem, hein? (coloca a mão na testa da criança) Ai, minha SantaQuitéria essa minina tá com muita febre... Espera, eu pegar comida pra você.
(Edvirgens pega uma fruta e dápara a menina comer.)
Edvirgens: Tá mió?
Quitéria: Acho que tô.
(Antonio chega)
Antonio: EU TE DISSE QUETU NUM DESSE COMIDA PRA SEU NINGUÉM NESSA CASA!
Edvirgens: Espera, euposso explicar...
Antonio: Explicar o que? Atua disobediencia? Que qué passá por cima das minhas ordi, tenha certeza dumacoisa, Edvirgens, aqui o homem sou eu.
(Os outros filhos acordam)
Maria de Lurdes: Que foi,mãe? Que gritaria é essa?
Getulio: Que que ele fezcom a senhora, mãe?
Antonio: Num fiz nadaainda, mais vô fazer, vô te dá a maió surra da tua vida que tu vai tearrepender de ter nascido.
Edvirgens: Não, porfavor...
(Quitéria fica na frente da mãe)
Quitéria: Não! Não bate naminha mãe! Só vai bater nela depois que me matar!