Quarta, 19 de Agosto de 2026
22°C 35°C
Santa Quitéria, CE
Publicidade

Ceará vai receber primeira fábrica do Brasil de curativos à base de pele de tilápia

Material é utilizado principalmente na reconstrução da pele humana em casos de queimadura. A previsão é de que, em até 15 meses, os trâmites para a instalação da fábrica estejam prontos.

19/08/2026 às 09h32
Por: Rita de Cássia Fonte: G1 Ceará
Compartilhe:
Foto: Saulo Roberto/Sistema Verdes Mares
Foto: Saulo Roberto/Sistema Verdes Mares

O Ceará vai receber a primeira fábrica do Brasil de curativos à base de pele de tilápia. O equipamento deve ficar sediado na cidade de Jaguaribara, no Vale do Jaguaribe, a cerca de 226 quilômetros de Fortaleza. A previsão é de que, em até 15 meses, os trâmites para a instalação da fábrica estejam prontos, como a aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e compra dos equipamentos necessários.

O objetivo é produzir, em escala industrial, curativos biológicos à base de pele de tilápia liofilizada - uma pele desidratada, embalada a vácuo e esterilizada antes de ser usada em pacientes. A iniciativa ocorre em parceria entre o Governo do Ceará e a empresa BIOTEC Medical Xenograft Engineering.

O tratamento com pele de tilápia começou a ser desenvolvido em 2015 no Núcleo de Pesquisa e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM) da Universidade Federal do Ceará (UFC), com participação de pesquisadores do Ceará, Pernambuco e Goiás. O curativo com base em animais aquáticos é inédito no mundo.

Continua após a publicidade
Anúncio

De acordo com o Governo Federal, o principal diferencial da fábrica em Jaguaribara é o uso da tecnologia de liofilização (desidratação) e esterilização por radiação gama, que permite armazenar os curativos em temperatura ambiente, sem necessidade de refrigeração. No momento da utilização, basta reidratar o material com soro fisiológico.

O Secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado (SDE), Fábio Feijó, disse que a pasta estima gerar mais de 200 empregos no primeiro ano de funcionamento da fábrica e cerca de 300, no segundo. A escolha pela cidade de Jaguaribara não é à toa, já que, segundo o secretário, ela é a cidade do Ceará com maior produção de tilápia.

Segundo o secretário, ainda faltam algumas etapas importantes, como a aprovação da Anvisa. "O cronograma do investidor é que, em 15 meses, ele esteja totalmente apto e pronto no seu licenciamento da Anvisa para o início da produção. A gente harmonizou o cronograma dele para fechar a última peça que faltava para ele, que era a gente prover todos os incentivos para a fábrica se instalar em Jaguaribara", ressaltou.

Fábio acredita que a chegada da fábrica no interior do Ceará coloca o município de Jaguaribara e toda a região em um cenário estratégico no setor de biotecnologia e bioengenharia. A importância resultou até em uma nova aposta do Governo: negociar um curso de bioengenharia na sede cearense do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), instalada na Base Aérea de Fortaleza (BAFZ), no Bairro Aeroporto.

"Como a gente agora está entrando no cenário de bioindústria e, efetivamente, lançamos uma estratégia de atração e desenvolvimento em bioengenharia, estamos agora em discussões com o Governo Federal e o Ministério da Aeronáutica para ter um terceiro curso no ITA de bioengenharia", revelou Fábio Feijó.

A pele da tilápia foi utilizada inicialmente no tratamento de queimados. A técnica para a recuperação desses pacientes desenvolvida pela Universidade Federal do Ceará (UFC) chegou a ser exportada e usada para curar queimaduras de ursos na Califórnia.

Houve êxito na aplicação em cirurgias ginecológicas, técnica idealizada pelo médico Leonardo Bezerra, professor da UFC. No caso mais recente, o material foi usado em um procedimento inédito para reconstrução vaginal de uma mulher transexual, realizado na Unicamp, em Campinas (SP). Já no Ceará, os procedimentos são realizados em parceria com a Maternidade-Escola Assis Chateaubriand (MEAC).

Publicidade
Publicidade