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Bets retiraram até R$ 141 bilhões da economia brasileira em 2025

Estudo da FEA/USP aponta redução do consumo e impacto de até 1,1% no PIB

16/09/2026 às 09h49
Por: Rita de Cássia Fonte: Opinião Ce
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Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil
Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Um estudo do Centro de Pesquisa em Macroeconomia das Desigualdades (Made), da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária (FEA), da Universidade de São Paulo (USP), aponta que as apostas, conhecidas popularmente como bets, reduziram o consumo e retiraram entre R$ 120 bilhões e R$ 141 bilhões da atividade econômica em 2025.

O valor representa de 0,9% a 1,1% do produto interno bruto (PIB) brasileiro. Segundo a pesquisa, o impacto equivale a uma parcela significativa do crescimento registrado pela economia no ano passado.

“Para dimensionar essa magnitude, a perda estimada corresponde a algo entre 40% e 50% de todo o crescimento da economia em 2025, cinco vezes maior que estimativas do impacto do tarifaço americano sobre o PIB brasileiro. Mesmo levando em conta as estimativas dos empregos diretos e indiretos criados associados às bets, o quadro praticamente não muda”, aponta a pesquisa.

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ARRECADAÇÃO

A redução da atividade econômica estimada pelo estudo também teria reflexos na arrecadação. Conforme a pesquisa, a perda de receitas públicas ficaria entre R$ 31,1 bilhões e R$ 54,8 bilhões.

“Descontando os cerca de R$ 9 bilhões arrecadados diretamente com as plataformas de apostas, o efeito líquido sobre as contas públicas ainda seria negativo em, no mínimo, R$ 22 bilhões, podendo chegar a até R$ 46 bilhões”, destaca a pesquisa.

Segundo os pesquisadores, o montante corresponde a 10% a 20% de todo o orçamento destinado à saúde pública em São Paulo em 2025.

A avaliação é de que a perda de atividade econômica provocada pelas bets supera a arrecadação direta obtida com as plataformas.

ENDIVIDAMENTO

Outro ponto analisado pela pesquisa foi a possibilidade de as apostas terem contribuído para o aumento do endividamento das famílias.

O estudo considera uma hipótese extrema em que a transferência líquida de R$ 62,5 bilhões para as bets teria sido financiada por novo crédito.

Nesse cenário, considerando que o saldo do crédito para pessoas físicas cresceu cerca de R$ 450 bilhões, o valor corresponderia a aproximadamente 14% do aumento do endividamento das famílias em 2025.

A pesquisa também aponta a possibilidade de efeitos negativos sobre a distribuição de renda.

Como o 1% mais rico da população concentra cerca de 24% da renda do País, a transferência de recursos das famílias para as bets poderia elevar a concentração de renda entre 0,5% e 2,1%, dependendo de quem recebe os lucros das casas de apostas.

“No primeiro caso, apenas retiramos os R$ 62,5 bilhões da renda dos 99% da base. No segundo, adicionamos esse valor para o 1% mais rico. Mesmo no caso mais conservador, é um efeito significativo em um país em que a concentração de renda já é extremamente elevada”, dizem os pesquisadores.

A pesquisa conclui que os efeitos das apostas ultrapassam o âmbito individual e alcançam a economia como um todo.

Conforme o estudo, a retirada de renda das famílias, principalmente das de menor renda, pode ampliar a desigualdade, reduzir a demanda e afetar o PIB, além de diminuir a arrecadação fiscal e pressionar as contas públicas.

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