
O abastecimento de água mineral passou a ser realizado sob escolta policial neste fim de semana em Banabuiú, no Sertão Central do Ceará, após ameaças de uma facção criminosa provocarem a suspensão da venda de garrafões na cidade. Na manhã deste sábado (31), moradores formaram filas para conseguir comprar a água.
A nova logística de distribuição conta com o apoio da Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) e das Forças de Segurança. “A Cagece realiza a coleta dos garrafões com água nos fornecedores e os transporta até o município de Banabuiú. Essa logística conta com o aporte das Forças de Segurança para que essa comercialização seja feita com tranquilidade”.
A suspensão do comércio local ocorreu após os lojistas receberem mensagens intimidadoras. Conforme a investigação, as mensagens de extorsão, sob nome "Edital Banabuiú", começaram a circular no dia 19 de outubro. A ação criminosa foi ordenada pela facção carioca Comando Vermelho (CV) e estava assinada pela "Diretoria de Banabuiú". No texto, os criminosos condicionaram a comercialização e a distribuição de água no município à “autorização” da facção. Eles afirmaram que aqueles que descumprissem as ordens “sofreriam as consequências”. Há relatos de cobranças de R$ 750 semanais para estabelecimentos.

A polícia também acompanha o trabalho da Cagece para a nova logística de distribuição de água. O prefeito Marcílio Coelho relatou que a polícia segue investigando o caso e tem mais mandados de prisão em aberto. No entanto, os comerciantes preferiram não se expor a riscos e decidiram parar de vender os garrafões de água mineral. “Já está cheio de polícia na rua, está cheio de investigadores, mas [os comerciantes] não estão se sentindo seguros ao ponto de voltarem a vender”, disse o prefeito.
Para garantir que a população não fique sem água potável, a operação de venda sob escolta seguirá nos próximos dias. Segundo a prefeitura, a partir da próxima terça-feira (3), a distribuição ocorrerá diariamente. A operação prevê a oferta de mil garrafões por dia. O material continuará sendo retirado de uma fonte de água mineral e transportado em veículos da Cagece, com proteção policial, até que a situação de segurança para a comercialização no município seja considerada normalizada.
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