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Ciro abriu mão de “dizer o que pensa” para disputar o Palácio da Abolição

Confira a coluna do jornalista Reginaldo Silva

Reginaldo Silva
Por: Reginaldo Silva
05/01/2026 às 01h55
Ciro abriu mão de “dizer o que pensa” para disputar o Palácio da Abolição
Foto: Thiago Gadelha/SVM

Ciro é pré-candidato ao Palácio da Abolição e enfrentará Elmano na disputa pela reeleição. Não há plano B, assim como não existe adversário fraco quando se trata de uma eleição majoritária.

Embora não tenha confirmado oficialmente sua pré-candidatura ao Palácio da Abolição, os movimentos políticos, partidários e estratégicos apontam para uma candidatura de Ciro Gomes ao Governo do Estado em 2026. Se não, vejamos.

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Ciro levava uma vida confortável no PDT, cercado de pompas, regalias e do status de estrela partidária, tratado internamente como uma reencarnação política de Brizola. Abriu mão desse espaço para retornar ao ninho tucano do aliado histórico Tasso Jereissati.

Ciro é pré-candidato porque abriu mão do que tinha de mais valioso: “dizer o que pensa”. Afrontado por Michelle Bolsonaro optou pelo silêncio absoluto. Para quem acompanha sua trajetória, o silêncio só se explica pelo cuidado em não confrontar o PL, partido que ele deseja atrair para sua base de apoio.

O ex-governador do Ceará evitou a filiação ao União Brasil para não ficar refém de uma federação que hoje tem grande probabilidade de aderir à base governista de Elmano. No PSDB, ele tem a garantia da legenda para ser candidato.

O ex-ministro também sabe que Flávio Bolsonaro vai disputar à Presidência da República independentemente das chances de vitória. O objetivo é tentar livrar o pai da prisão. Ciro antecipa cenários e reconhece que essas circunstâncias favorecem as negociações no Ceará, principalmente porque já conta com a simpatia de André Fernandes.

De volta ao país, Ciro começou a contatar deputados federais de oposição; Danilo Forte, Matheus Noronha e o ex-deputado federal Genecias Noronha; buscando amarrações políticas neste novo cenário eleitoral.

Ciro abriu mão de dizer o que pensa, abriu mão do partido que lhe deu sustentação, abriu mão do discurso crítico ao bolsonarismo e, na prática, abriu mão da política nacional. Tudo isso em nome de um único objetivo: concorrer ao Palácio da Abolição.

Disputar é uma coisa; vencer é outra. Ciro enfrentará um governo em reeleição, com forte volume de investimentos, extensa agenda de entregas, apoio da Prefeitura de Fortaleza e respaldo de um Governo Federal que apresenta indicadores econômicos positivos.

Elmano vai para a reeleição com base política consolidada, partido enraizado e disposição para o confronto eleitoral. O duelo entre Ciro e Elmano em 2026 já está posto.

As incertezas ficam por conta do bloco dos insatisfeitos, os que ficarão fora da disputa pelo Senado, o posicionamento de Cid Gomes e a definição de prefeitos e deputados que precisarão se posicionar publicamente antes da janela partidária.

Não existe segredo em política. Maquiavel já nos ensinava: é preciso ser príncipe para conhecer a natureza do povo, mas é preciso ser povo para conhecer a natureza dos príncipes.