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Três alertas escondidos nos números da Paraná Pesquisa

Confira a coluna do jornalista Reginaldo Silva

Reginaldo Silva
Por: Reginaldo Silva
26/01/2026 às 11h35
Três alertas escondidos nos números da Paraná Pesquisa

É nítido o distanciamento do eleitor cearense em relação à disputa pelo Governo do Estado e pelas vagas ao Senado.

A coluna PONTO POLÍTICO analisa o desinteresse da população pela eleição deste ano. Pouco mais de 60% dos entrevistados não souberam ou preferiram não responder em quem votariam para governador. O desinteresse é ainda maior quando se questiona sobre os postulantes ao Senado, quando os números sobem para quase 80%.

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Esses dados são do levantamento espontâneo da Paraná Pesquisa, modalidade em que o pesquisador não menciona os nomes dos pré-candidatos, o que costuma indicar um grau maior de convicção; ou de afastamento, por parte do eleitor.

Além desses dois pontos centrais de desinteresse do eleitorado para o Governo e para o Senado, outro dado relevante que merece destaque é a pontuação da deputada federal Luizianne Lins postulante ao Senado, que apareceu em um dos cenários atrás de Capitão Wagner e Eunício Oliveirra e, em outro recorte, supera nomes que já estão na estrada como pré-candidatos há mais tempo, como José Guimarães, Júnior Mano e Alcides Fernandes.

A coluna observa que não houve, até aqui, um fato político concreto capaz de explicar esse crescimento repentino de Luizianne. Não que ela não tenha liderança política na capital e no interior; é digno de registro seu trabalho e sua militância histórica, contudo, não houve evento recente que justificasse a alta pontuação. Outros nomes nesta corrida pelo Senado mantêm uma pré-campanha muito mais visível e intensa.

Luizianne esteve ausente do debate eleitoral na disputa pelo Senado nos últimos meses. O único episódio recente de grande visibilidade envolvendo a parlamentar foi sua detenção por forças israelenses, durante missão humanitária voltada à oferta de ajuda a palestinos que vivem na região da Faixa de Gaza, fato ocorrido ainda no ano passado.

Luizianne também não apareceu na pesquisa Paraná, realizada em dezembro, nem na espontânea nem na estimulada. Agora, em janeiro, pouco mais de um mês depois do último levantamento, surge como um furacão, já quebrando a barreira dos dois dígitos, com 25,1% em um cenário e 19,9% em outro.

A pesquisa também não traz os apoios centrais que irão nortear essa campanha em nível nacional. Na base governista, Elmano deve se ancorar em Camilo Santana e Lula. Já no bloco de oposição, com Ciro Gomes, permanece indefinido o posicionamento do PL no Ceará, partido que tende a manter a polarização com o PT em nível nacional.

Uma coisa é Ciro concorrer apenas pelo campo da centro-direita, tentando furar a bolha da polarização; outra, bem diferente, é conseguir fechar a unidade do bloco. O apoio do PL, portanto, segue como variável decisiva, seja para Ciro, seja para Eduardo Girão.

Outro ponto que as pesquisas ainda não conseguem captar é a força institucional dos partidos. O destino da Federação União Progressista será preponderante no pleito de 2026; agregando conjuntura nacional, base partidária e lideranças com mandato no estado, fatores que alteram, de forma significativa, o cenário eleitoral local.

Pesquisas mostram apenas um retrato do momento e se modificam à medida que novos fatos surgem, alterando os números para um lado ou para o outro. Essa oscilação deverá marcar a eleição, especialmente entre um grupo reduzido de eleitores que ainda pode migrar conforme o vento político.

O desinteresse momentâneo do eleitor cearense pelo pleito de 2026, mantém a disputa para o Governo e para o Senado em aberto, sem favoritismo, dada a distância da realização das eleições. Quem decide de fato, ainda não entrou na arena eleitoral. Em política, vale o alerta: apatia não é neutralidade; é terreno fértil para viradas.