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Financiamento para energia solar no Ceará recua mais de 60% após mudança em regras de crédito

Exigência de equipamentos com conteúdo nacional reduz acesso a recursos e preocupa setor de geração distribuída

Thiago Rodrigues
Por: Thiago Rodrigues Fonte: Repórter Ceará
04/06/2026 às 17h59
Financiamento para energia solar no Ceará recua mais de 60% após mudança em regras de crédito
Foto: Natinho Rodrigues / SVM

Os financiamentos destinados à instalação de sistemas de energia solar em residências e pequenos negócios registraram forte queda no Ceará após mudanças nas regras para concessão de crédito com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). A informação é da jornalista Mariana Lemos, do Diário do Nordeste.

Dados do Banco do Nordeste (BNB) mostram que, entre janeiro e abril deste ano, foram liberados R$ 3 milhões para projetos do segmento no estado. No mesmo período de 2025, o volume contratado havia alcançado R$ 9,4 milhões, o que representa uma redução superior a 62%.

A diminuição ocorre após a adoção de novas exigências do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), que passaram a priorizar equipamentos produzidos no Brasil para operações financiadas com recursos dos fundos constitucionais.

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Em nota, o Banco do Nordeste ressaltou que, na condição de operador do FNE, precisa seguir as determinações estabelecidas pelo ministério. A instituição informou que as regras atuais exigem o cumprimento de critérios relacionados ao conteúdo nacional mínimo dos equipamentos financiados, conforme previsto no regulamento do Credenciamento FINAME.

A exigência está em vigor desde novembro de 2025 e reduziu a quantidade de fornecedores aptos a participar dos projetos. O objetivo da medida, segundo o setor, é estimular a indústria nacional. Representantes do segmento destacam, porém, que cerca de 95% dos sistemas, placas e equipamentos utilizados na geração solar são produzidos na China.

Os equipamentos certificados como nacionais podem custar até 40% mais do que os importados, o que encarece os projetos e reduz a procura pelo financiamento. A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) também avalia que a mudança afetou diretamente o acesso ao crédito para consumidores e pequenos empreendedores interessados em gerar a própria energia.

A Absolar afirma que o Banco do Nordeste era o banco público mais competitivo para o financiamento de sistemas de geração, especialmente para pessoas físicas e pequenos negócios.