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O jogo de Ciro e Elmano passa por Brasília

Confira a coluna do jornalista Reginaldo Silva

Reginaldo Silva
Por: Reginaldo Silva
16/01/2026 às 01h43 Atualizada em 16/01/2026 às 02h03
O jogo de Ciro e Elmano passa por Brasília
Fotos: Carlos Gibaja/Casa Civil do Ceará, Valter Campanato/Agência Brasil

Ciro e Elmano entram na disputa pelo Palácio da Abolição ancorados menos em decisões internas e mais em fatores externos que fogem ao controle direto de ambos.

Elmano depende diretamente do desempenho econômico do governo Lula e da manutenção de um ambiente político estável, livre de escândalos que possam contaminar o projeto petista no Ceará até as convenções.

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Ciro, por sua vez, depende dos ventos do bolsonarismo. Michelle Bolsonaro fez uma publicação enigmática nesta semana nas redes sociais, enaltecendo habilidades de Tarcísio de Freitas, que ainda se mantém vivo no jogo à Presidência da República. Com Michelle forte, a força do bolsonarismo muda no Ceará, beneficiando Eduardo Girão.

Caso Flávio Bolsonaro leve sua pré-candidatura até o fim, a probabilidade de apoio a Ciro aumenta. Contudo, em se tratando de bolsonarismo, tudo é possível; tampouco se descarta o apoio a um nome de direita ou do conservadorismo na disputa ao Governo do Estado ainda no primeiro turno, para fortalecer Flávio no Ceará.

Diante da dependência política do humor de Brasília, a nossa coluna — Ponto Político — analisa o cenário estadual ainda nebuloso, mas também ousa em fazer algumas afirmações que, embora não estejam claras para o eleitor, já são evidentes para quem vivencia o mundo político.

Na base governista, Elmano foi pego de surpresa com as declarações do ex-prefeito de Sobral, Ivo Gomes, descartando o apoio à reeleição do governador por conta da disputa política local. O chefe do Executivo estadual respondeu dizendo que o caminho é dialogar.

No bloco de oposição, Ciro, por sua vez, recebeu em seu escritório político a visita de deputados, vereadores e lideranças políticas. Ao lado do deputado federal Dr. Jaziel e da deputada estadual Dra. Silvana, o ex-ministro declarou: “o juízo diz pra eu não ser candidato, mas o coração tá muito balançado” e arrematou dizendo que, se tiver que cumprir com essa responsabilidade: “não vou fugir”.

Algumas tensões internas ainda são pouco visíveis ao eleitor, e vamos apontar possíveis caminhos. Ivo Gomes e Lia Gomes são mais propensos em seguir o irmão Ciro Gomes; os sinais são mais claros em relação aos dois políticos. Já o senador Cid Gomes é uma incógnita; no cenário de hoje, ele é mais matemático e estratégico, faz todos os cálculos possíveis e tem visão apurada da política cearense.

A outra dúvida é sobre o destino da Federação União Progressista, que ora voa para os braços do governismo, ora pousa no ninho tucano, e o paradeiro final ainda é incerto.

As dúvidas existem; contudo, algumas certezas vão ficando mais evidentes: Ciro vai para a disputa do Abolição, é fato. Embora seu vigor não seja o mesmo, ele conhece o terreno e vai consciente de que depende da potência do bolsonarismo; daí a troca de tantas gentilezas automáticas com essa ala da oposição.

Elmano também vai para a reeleição, não tenham a menor dúvida disso. Sua missão será defender o projeto em curso, em mais uma eleição polarizada entre lulismo e bolsonarismo. Aceitem ou não, o quadro de polarização que se avizinha é o mesmo de 2022. O centro não teve força para furar a bolha.

As mensagens ainda são cifradas de ambos os lados; os movimentos, às vezes silenciosos, outros mais ruidosos, vão tomando forma já no início de 2026. Ciro vai empunhar a bandeira do antipetismo, da corrupção e da segurança pública. Elmano vai combater a volta do bolsonarismo, defender sua gestão como o governo das entregas e evidenciar os grandes investimentos realizados na área da segurança.

O eleitor ainda não vê, mas o jogo já começou. Ciro e Elmano caminham condicionados por forças externas. Em 2026, não vencerá quem falar melhor no Ceará, mas quem estiver mais respaldado pela força política com perspectiva de vitória da conjuntura nacional.